17/11/2014 / Fonte: Monitor Mercantil
“Mesmo com a economia em ritmo menos acelerado, há nichos importantes de oportunidades para os corretores de seguros”. A afirmação é de Marco Antônio Gonçalves, diretor-executivo da Bradesco Seguros, durante almoço em sua homenagem promovido pelo Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro (CCS-RJ). Ao ser anunciado para a realização de sua conferência, o presidente do Clube, Jayme Torres definiu o palestrante com um “ícone do mercado de seguros”.
Marco Antônio Gonçalves se diz otimista, mas reconhece que haverá muitos desafios a serem vencidos em 2015. Em sua análise aos corretores do Clube lembrou que os economistas estão prevendo um ano de ajustes fiscais, o que poderá impactar ainda mais o crescimento do país. “O importante é que o mercado de seguros que cresce em média quatro vezes mais do que o PIB brasileiro estima que em 2014 o seu crescimento será em torno de 10%, muito superior a estimativa de fechamento do PIB no ano”.
As perspectivas para o setor são desafiadoras mas são boas na sua avaliação. O dirigente vislumbra alguns nichos de oportunidades para os corretores, como, por exemplo, a entrada no mercado do “seguro auto popular” para automóveis com mais de cinco anos de fabricação, que deve ser aprovado em breve. “Uma frota onde menos de 10% dos automóveis estão segurados”, afirmou.
Outro nicho importante citado por Marco Antônio é o das Pequenas e Médias Empresas (PMEs). “Existe uma preocupação dos empresários com os seguros de benefícios para os seus funcionários, que deve ser explorado pelos corretores. Mas, a maioria dos empresários não se preocupa com seguro patrimonial. Se houver um incêndio em sua empresa ele perde o seu patrimônio e a receita que mantém estes benefícios, deixando dezenas de famílias desamparadas sem ter como dar continuidade aos seus negócios”, explicou.
A previdência privada também deve ser explorada pelos corretores. “Hoje, quem vende plano de previdência, em sua grande maioria, são os bancos”, disse. À medida que a população envelhece e que a expectativa de vida em 2050 será de aproximadamente 80 anos no Brasil, “precisamos estar preparados para esta realidade”.
– Até porque – acrescentou – se os nossos clientes de hoje não tiverem condições de complementar renda no futuro, nós perderemos estes clientes. É necessário criar condições financeiras para que eles continuem sendo nossos clientes.
É uma realidade que se impõe à medida que a pirâmide populacional brasileira começa a se inverter, aproximando-se de um novo formato onde o topo, representando as pessoas com mais de 60 anos, cresce rapidamente enquanto a base, composta por pessoas com menos de 60 anos, encolhe.
Outro tema abordado por Marco Antônio para reflexão dos corretores é a busca do cliente pela sua conveniência. “É ele que decide com quem ele vai falar e como ele deseja comprar o produto. Sabemos que as pessoas entre 24 e 30 anos querem resolver tudo pela internet. Dizem que nós somos multicanais mas o cliente é que é multicanal, ele escolhe onde e como quer comprar”, afirmou. Ele lembrou ainda que os bancos já estão nos smartphones e que o seguro ainda tem muito a avançar, exemplificando: “Transmitimos as nossas operações online mas a legislação atual exige o arquivo da proposta física”. Concluindo, ele disse que “os corretores devem estar preparados para atender às necessidades de longevidade e de mobilidade dos consumidores”.
O diretor do CCS-RJ, Amilcar Vianna, fez a entrega da placa em homenagem a Marco Antônio Gonçalves e aproveitou a oportunidade para agradecer aos corretores que participaram das eleições do Sincor-RJ e que manifestaram a sua vontade de “fazer diferente, de renovar. Ainda vamos avançar muito neste mercado”, afirmou.
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Previdência complementar prevê chegar a 7,5 milhões de participantes
As entidades fechadas de previdência complementar, que contam atualmente com 2,4 milhões de participantes, podem adicionar de imediato mais 900 mil pessoas ao sistema e, a médio prazo, têm potencial para chegar a 7,5 milhões de participantes. A afirmação é de José Ribeiro Pena Neto, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).
A associação prevê que o número de participantes ativos crescerá de maneira constante nos próximos anos, chegando a 2,65 milhões em 2016 e somando 3,38 milhões em 2020. No longo prazo, José Ribeiro Pena Neto estima que o setor contará com 17,31 milhões de participantes em 2035.
Ao falar após a abertura do 35º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, que está sendo realizado pela Abrapp em São Paulo, José Ribeiro garantiu que a conquista imediata de 900 mil pessoas é viável com a realização de campanhas internas, principalmente nas entidades fechadas de previdência complementar, que têm percentual de adesão próximo a 65%. Esse potencial, segundo ele, é de 88% nas entidades de patrocínio público. Para o médio prazo, o presidente da Abrapp enxerga potencial principalmente nos 6.500 sindicatos e 16 mil cooperativas que contam com 30 milhões de associados.
Com relação aos ativos das entidades fechadas de previdência fechada, José Ribeiro Pena Neto tem previsões otimistas: “O total de ativos está atualmente na casa de R$ 700 bilhões e o potencial de crescimento real é de 7,7% ao ano, chegando a R$ 3,4 trilhões até 2035. Dessa forma, o tamanho desses ativos no PIB brasileiro dará um salto dos atuais 13,8% para 40% no período”.
Com essas previsões, o setor acredita que não apenas beneficiará um número maior de pessoas, mas também que serão criadas condições para que o Brasil poupe mais, já que contará com recursos de longo prazo (típicos do sistema de previdência complementar). Além disso, na avaliação do presidente da Abrapp, o setor pode ser também a solução para que o país poupe melhor, “desde que haja desoneração das entidades, novas opções de planos com maior flexibilização de produtos, e estabilidade, fazendo com que a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) seja um órgão de Estado”.