0/12/2014 / Fonte: Revista Cobertura | Por Karin Fuchs
No Brasil, a violência no trânsito mata mais do que câncer. Os números são assustadores e estatísticas não faltam para ilustrar este cenário. Entre 181 países analisados, o Brasil ocupa o 33º lugar no ranking em mortalidade em acidentes de trânsito, segundo o Centro Brasileiro de Estudos Latino Americano.
E, de acordo com a base de dados do DPVAT, somente no ano passado foram mais de 633,8 mil indenizações pagas. A maioria, 444,2 mil casos, por invalidez permanente, registrando um crescimento de 25% em relação a 2013.
Também no ano passado, foram mais de 54,7 mil indenizações pagas por morte, neste caso, houve um recuo de 10% ante 2013. E neste ano, até o mês de junho, o DPVAT já computou mais de 340,5 mil indenizações pagas, a maioria dos casos, novamente, por invalidez permanente (mais de 259,8 mil).
Outro dado que mostra esta triste realidade é o Mapa da Violência 2014. Com base em dados do Ministério da Saúde e do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), apenas em uma década, considerando 2002 a 2012, o número de mortos em acidentes de trânsito em todo o Brasil cresceu 38,3%.
Com o objetivo de conscientizar os motoristas quanto aos riscos, o mercado segurador não criou uma campanha, mas sim um programa. “O Programa Nacional de Apoio ao Trânsito será lançado no próximo dia 16 de dezembro e a primeira campanha tem o mote ‘Se Liga’. Nós faremos várias ações no campo educativo exatamente para conscientizar as pessoas a mudar este cenário. O foco é reduzir o número de acidentes, o número de vítimas por morte ou invalidez”, informa Marco Barros, presidente da FenaCap.
O Programa contará com folders educativos, jogo virtual e simuladores que mostram o que pode ocasionar uma colisão a 15 km/hora. “O Programa é nacional e também terá direcionamento regional, já que as realidades são diferentes nas regiões do País. É sabido que 72% de todos os acidentes são causados por falha humana. O objetivo é ter uma sociedade mais racional no que diz respeito ao trânsito”, destaca o executivo.
Diferentemente do trato da legislação, que pune quem dirige embriagado ou utilizando o celular, focando campanhas neste sentido, a pretensão do mercado de seguros é conscientizar sobre a dirigibilidade em todos os aspectos, exatamente nos riscos existentes.
Para tanto, nesta primeira etapa com término previsto para o Carnaval, a estimativa é distribuir um milhão da primeira edição do material orientativo. “Faremos parcerias com concessionárias de rodovias e Detrans de todo o País”, antecipa Barros.
Uma conscientização que está relacionada à mudança de atitude. Para exemplificar, estima-se que 25% dos acidentes são causados por motoristas falando ao celular afetando, principalmente, jovens de 14 a 34 anos de idade.