07/10/2014 – 09:44
Fonte: CQCS
Existe um debate que há anos acontece no mercado e ainda não se esgotou e muito incomoda os corretores de seguros profissionais: a venda de apólices por agentes não autorizados, pessoas que não têm a habilitação da Susep.
Esses vendedores não frequentaram o curso da Escola Nacional de Seguros, necessário para se tornar um profissional. E assim, sem preparo, chegam ao mercado oferecendo seguros aos consumidores.
Essa é, sem dúvida, uma prática ilegal, uma vez que uma pessoa não habilitada não pode exercer a profissão de corretor. A habilitação para atuar como corretor é intransferível. O funcionário pode atender, mas não pode fechar seguro.
Romulo Guimarães Veloso, corretor da Maxvel Seguros, diz que essa prática é prejudicial ao mercado como um todo.
Ele diz que esses vendedores são chamados de agentes e atuam, na verdade, como tiradores de pedido, pois não podem assinar a apólice.
Eles levam o documento, a apólice, para um corretor de seguros que assina o documento. Nesse caso, o vendedor e o corretor dividem a comissão. Essa prática afeta especialmente o corretor que trabalha dentro das regras.
Veloso lembra que o profissional que assina o documento não sabe o que foi combinado e, ao assinar, assume a responsabilidade pelo que foi acordado entre o cliente e o vendedor não autorizado, o agente. “No momento em que você transmite a apólice para a seguradora e coloca o nome da sua empresa, a responsabilidade é sua”, alerta.
Afinal, a pessoa que vendeu o Seguro, o chamado agente ou produtor, não existe dentro do mercado e pode ter feito promessas infundadas ao segurado. É preciso ficar atento. Isso pode causar problemas.
Veloso diz ainda que muitas vezes esse agente é alguém sem conhecimento técnico, que perdeu o emprego e decide atuar no setor.
Essa pessoa é usada por outros corretores que precisam aumentar sua produção. “Algumas pessoas que trabalham com esses produtores querem regularizar a atuação desses profissionais que funcionam como agentes. Alguns corretores são coniventes com essa irregularidade”, alerta Veloso.
Ele explica ainda que esse corretor profissional pode, para aumentar sua produção, contratar pessoas nessas condições. “Alguém que perdeu o emprego, pega uma pastinha e sai vendendo seguros por aí, ele não conhece a parte técnica, mas o Corretor é conivente porque ele compra a produção dele”, diz.